Uma "mulher de verdade". Não sei por que não consigo encontrar um exemplo nesse mundo controverso. A realidade não me auxilia nesse aspecto. Entretanto, posso imaginá-la. Do jeito que ela deve ser. Não me prenderei a características físicas. Por dever e opção, irei até o fundo dessa incógnita.
Não podendo encontrar essas mulheres no mundo terreno, apelo para o imaginário. Houve um dia em que me concentrei tanto que fui capaz de desenhar essa mulher em minha mente. Não foi uma imagem clara. Mas pude admirar sua silhueta. E como era encantadora. Como diriam meus conterrâneos: "Era um violão!" E era mesmo. Foi tamanho o esplendor que, de súbito, acordei.
Acordado, decidi, então, refletir sobre aquela dama idealizada. E, aproveitando a ideia do violão, soou um pensamento : "... que coisa mais linda, mais cheia de graça ... com doce balanço..." Linda! Essa qualidade depende da opção masculina, na maioria das ocasiões. Contudo, segundo minha humilde opinião, mulher verdadeira não se importa com sua imagem em um mundo de aparências. Não é vaidosa.
"É cheia de graça ..." É tamanha sua graça que sinto que a ofendo ao prestar-me da sua presença. Não sou digno de tal dom divino. "Doce balanço ..." Tal movimento hipnótico não devia ser permitido. Cavalheiros são capazes de realizar loucuras por tal sensualidade angelical.
Alguns cientista dizem que são feromônios. Mas não creio que haja explicação para um amor incondicional. Esse amor é o que uma vez senti por uma mulher. Não posso dizer que ela era verdadeira. Não! Não posso! Porque, simplesmente, ela não era de verdade. Era uma pintura. Um retrato do imaginário. "V" era a letra inicial de seu nome. "V" também era a inicial de seu efeito sobre mim. Era um vislumbre da mulher verdadeira.