Olhar pela janela já não é mais um refúgio. Virou motivo de desespero. Permanecer estático olhando para as próprias mãos provoca o desgosto. Ao olhar o espelho nos olhos de outra pessoa, eu grito.
Outrora, admirava a beleza de um fiorde. Pensava sobre a doença de minha irmã e os maus-tratos de minha mulher. O céu ficou, de súbito, vermelho-sangue. A água subia. Mais alto que o horizonte. Inclinei-me sobre a mureta. Havia sangue e línguas de fogo sobre o azul do fiorde. E sobre a cidade.
Nesse parágrafo, você pode explorar muito melhor as causas do desespero. Uma doença e maus-tratos? Pense de forma mais grave - mais existencial. O que leva o Homem ao desespero? Medo de não-ser, medo de ser o que odeia, a doença remete à morte e à não-existência - o verdadeiro desespero. Os maus-tratos à dignidade, explora isso.
Apesar da macabra imagem, havia outra pintura mais controversa. Eu estava torto. Meu corpo parecia tremer. Na forma de uma onda, talvez sonora. Era de se esperar que tudo ao meu redor também estivesse. Contudo, era o oposto. Todos a minha volta estavam sob a mais perfeita silhueta.
Logo, a mais óbvia dedução: o que não é natural permanece reto. Lógico! Não é da natureza humana essa atitude contemporânea. Assim como um anjo caído procura respostas ao mirar o chão, eu fitava o céu. "Por quê?" - eu repetia. Como um filho, ao ver sua mãe sendo levada embora, eu sentia minha voz deixando meu corpo.
Nesse parágrafo, não gostei das metáforas do anjo e da mãe. Acho que aqui você pode trazer imagens que explorem melhor o aspecto físico da obra, pode falar das cores, do som e das formas. O parágrafo de baixo pode sumir e aproveitar alguma coisa dele nesse parágrafo aqui. A metáfora do acionista eu também não faria - remete a um desespero simples. Acho que o efeito, o suicídio, pode ser explorado melhor, em vez de fechar a descrição nessa imagem.
Esse é o verdadeiro desespero. Não é o mesmo desespero que um acionista sente ao admirar a crise arrancando dele seu dinheiro. Não é o mesmo medo arquivado em nosso córtex pré-frontal medial. É diferente, único, raro e lindo. É insensível sua ação. Só ao concluir sua obra-prima podemos percebê-lo.
Olhei para o meu olho esquerdo. Ele estava no chão. De repente, não vejo nada. Sinto meu corpo tocar o chão, mas em diferentes partes. Estava despedaçando. Foi quando percebi - era minha válvula de escape. Meu grito. O grito de Münch.
Não muda nada nesse final, eu achei ótimo. O texto tá bem poético e alguém poderia criticar isso, deixa nessa função mesmo e vamos ver que nota dão.
Comentários por : Rafael Barreto
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