segunda-feira, 2 de maio de 2011

A obra de Afrodite

Era uma noite de lua cheia. Ela brilhava em meio àquela escuridão. Era incrível a força de atração que ela possuía sobre mim. Ela tinha total controle sobre minha força. Apesar desse controle, sentia meu poder aumentando. Era viciante. Mais poderosa que qualquer entorpecente.
Entorpecentes os quais todos os dias eu era forçado a “tomar”. Era uma dor necessária. Aquelas drogas não eram mais viciáveis, passaram a ser repulsivas. Eu tinha a opção de recusá-las. Entretanto, se o fizesse, nunca mais veria minha amada. Era um amor sofrido. No entanto, com o passar dos meses, acostumei-me com a dor. Bastava pensar que, à noite, encontraria meu grande amor. “Ah! E como era mágico esse momento!” Uma única visão de sua esbelta silhueta era suficiente para valorizar todo o meu sofrimento vespertino.
Todavia, a pesar de encontrá-la quase todas as noites, raramente nos falávamos. Porém, sabíamos que não poderíamos existir um sem o outro. Era um amor eterno. Éramos inseparáveis.
Um dia, no entanto, um desastre aconteceu. Eu admirava , por mais uma noite, sua beleza quando, inesperadamente, ela começou a desaparecer, pouco a pouco. Eu enlouqueci. Tentei comunicar-me , mas ela não me respondia. “Ah! Agonia! Responda-me!” Nulo era o resultado. Distribuí minha fúria por todos os cantos. Animais foram exterminados, construções sucumbiram, populações foram dizimadas. Nesse meio, saltei com o intuito de agarrá-la. Foi, então, que tudo acabou. O mar tocou o céu. Poseidon havia beijado Ártemis. O mundo foi às ruínas e, com ele, nós. Era o Apocalipse. O fim de um amor imortal.

Nenhum comentário:

Postar um comentário